quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
ANAC PODE DESTRUIR AVIAÇÃO NACIONAL, DIZ FUNDADOR DA EMBRAER
BOLETIM ABETAR - O fundador da Embraer, ex-ministro da Infra-estrutura e ex-presidente da Varig, brigadeiro Ozires Silva, acredita que, se o governo continuar com a política de "céus abertos" com empresas estrangeiras, a aviação nacional pode ser destruída. Para Silva, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deveria consultar os empresários brasileiros antes de estabelecer esta política. "Se o governo insistir na formulação de uma política de céus abertos com empresas norte-americanas e européias destruirá a aviação nacional. Dará de bandeja o mercado brasileiro às estrangeiras", afirma Silva, que comandou a Varig entre os anos de 2000 a 2003. Segundo Ozires Silva, antes da Anac estabelecer essa política deveria ocorrer uma consulta pública. "Não é possível que o governo brasileiro tome uma decisão dessas sem a opinião dos maiores interessados, os empresários brasileiros. Deve haver essa consulta", ressaltou o brigadeiro. O diretor da Anac, Ronaldo Seroa da Motta, disse que a agência é favorável à expansão da concorrência entre empresas aéreas e que isso reduz o preço dos bilhetes aéreos. Motta é o responsável pela área de relações internacionais da Anac. Ele disse que a agência está implicada em dois projetos que irão aprofundar a redução da tarifa aérea."O marco legal da Anac escolheu proteger a economia brasileira e não as operadoras", disse o diretor. No Ministério da Defesa a questão que está sendo tratada com maior emergência é a falta de cobertura de vôos regionais. Esses vôos de interligação entre cidades de menor porte são considerados fundamentais para melhor integração regional do País. Os projetos que estão em curso na agência são a expansão da concorrência sub-regional no Mercosul e a eliminação de qualquer restrição de capacidade sem necessidade de um acordo bilateral. "Queremos os céus abertos na América do Sul, Europa, Estados Unidos e ir expandindo esse movimento", disse o diretor da Anac. Segundo Motta, o fim das companhias de bandeira é um movimento global que mudou o panorama do setor não só no País. "Algumas empresas perderam, mas o Brasil ganhou", comparou Motta. Ele disse ainda que a mudança trouxe benefícios para a economia brasileira e para as empresas que precisam ter seus executivos voando mais a preços mais baixos. O ministro Nelson Jobim quer abrir discussão nacional para ver qual a solução para a falta de investimentos nesse tipo de vôos. Relatório do vôo 3054 em elaboração Onze meses depois do maior acidente da aviação comercial brasileira, em 17 de julho do ano passado, no vôo 3054, o relatório do CENIPA está em fase final de elaboração, e segundo fontes credenciadas, as falhas como um todo provocaram o acidente fatal com o avião da TAM, em Congonhas. A Infraero, a empresa aérea, a Anac, e a Airbus estão relacionadas no conjunto de fatores que contribuiram para o acidente fatal. No caso da estatal administradora dos aeroportos, a questão das ranhuras na pista de Congonhas. Para a TAM, a questão técnica do avião estar muito pesado. Os pilotos, na situação de erro humano. Para a Agência Nacional de Aviação Civil, a fiscalização. Da construtora Airbus, o problema com o sistema de manetes. O chefe do Centro, Brigadeiro do Ar Jorge Kersul Filho, comunicou que o relatório sobre o acidente encontra-se em fase final de elaboração e que apenas a comissão de investigação tem conhecimento do teor desse documento. A Infraero - assim como diversas organizações do setor aéreo - aguarda o término das investigações e lembra que o CENIPA é o órgão oficial do governo responsável pelas investigações e pela divulgação do relatório final.
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